Por que o Brasileiro quer ir para Portugal?

A pergunta não é por que o brasileiro vai para Portugal. É por que ele ainda fica.

Depois de 10 anos em Portugal, eu entendi por que o brasileiro vai embora do Brasil: segurança. Por que o Brasileiro quer ir para Portugal? O brasileiro não sai do Brasil por dinheiro. Sai por medo.

Quando a segurança deixa de olhar para trás… você vai entender mais pra frente no texto.

O maior luxo para um brasileiro hoje não é dinheiro. É segurança. Depois de viver dez anos em Portugal, algumas certezas deixam de ser teóricas. Elas se tornam sensações. Coisas que não precisam mais ser explicadas, apenas vividas. Sabe aquela coisa: alguém me contou? Pois é…

Rodrigo, Mariana, Diogo, Maria Eduarda e André – Cidade de Braga – Portugal em 2025

Desde o dia em que cheguei, em 2015, uma pergunta sempre se repetiu. Não importava a cidade, o contexto ou o interlocutor. Portugueses, quase sempre, queriam saber o mesmo: por que um brasileiro decide deixar o Brasil e morar em Portugal? A maioria dos brasileiros não quer emigrar. Quer dormir tranquilo.

A curiosidade era legítima. E a resposta, surpreendentemente, quase sempre igual.

Segurança. Sem comparação com o Brasil. Foram dez anos em Portugal para entender algo simples: viver sem medo muda tudo.

Quando um país faz você viver em alerta, ele já falhou.

Segurança…

Não segurança como conceito abstrato. Mas segurança como ausência de medo. Como rotina. Como normalidade. Segurança para si, para os seus filhos, para a família. A tranquilidade de não precisar olhar para trás ao andar na rua. Percebeu? De não viver em estado permanente de alerta, achando que vai ser assaltado, morto…

Quando você escolhe um país, você está escolhendo o futuro dos seus filhos. Segurança não é estatística. É poder buscar seu filho na escola sem medo. Todo pai brasileiro entende isso: não é sobre sair do Brasil. É sobre proteger quem você ama.

Portugal vs. Brasil: Por que a comparação assusta?

A percepção de violência “como no Brasil” surge porque, embora Portugal seja o 7º país mais seguro do mundo, os crimes violentos subiram cerca de 2,6% a 3% em 2024. 

A grande diferença prática está na letalidade:

  • Homicídios em Portugal: Foram cerca de 89 a 108 casos em todo o ano (2024/2025).
  • Homicídios no Brasil: O número ultrapassa os 40.000 anualmente.

Portanto, embora ocorram roubos à mão armada em Portugal (especialmente em zonas urbanas de Lisboa, Porto e Setúbal), a probabilidade de um assalto terminar em morte ou ferimento grave é estatisticamente extremamente menor do que no Brasil.

Continuando a minha história…

Portugal não se impõe pela força. Ele se organiza pelo consenso. Durante anos, caminhei por cidades inteiras sem ver polícia. Não porque ela não existisse, mas porque não precisava existir de forma ostensiva, como é no Brasil. Não havia bloqueios, cercos, armas em riste. Não havia o Estado gritando autoridade. Havia ordem.

Descobri o verdadeiro significado de segurança no dia em que um policial me disse: ‘Calma, o senhor não está no Brasil

A primeira vez que percebi isso de forma quase didática foi num episódio simples, doméstico, cotidiano. Uma ida à escola. Uma volta para casa na cidade de Figueira da Foz, Distrito de Coimbra. Dois filhos no banco de trás.

Cidade de Figueira da Foz – Coimbra

A poucos metros de casa, mais ou menos uns 400 metros, um carro da polícia fazia uma blitz discreta. Dois agentes. Nada de espetáculo. Nada de intimidação. Eu estava sem cinto de segurança. Por distração, apenas. O carro era antigo. Saí apressado. Quando vi o carro da polícia, conferi instintivamente. Percebi o erro e coloquei o cinto. O gesto foi visto.

Fui mandado parar. Não houve tensão. Não houve voz elevada. Houve apenas procedimento. Assumi o erro. Disse a verdade. Sem floreios, sem desculpas ensaiadas. A verdade, ali, bastava.

Então veio o segundo erro: eu estava sem carteira. Nenhum documento comigo. No Brasil, esse momento teria um peso específico. Um silêncio desconfortável. Uma expectativa pesada. Em Portugal, ele foi apenas… humano.

O policial perguntou onde eu morava. Olhei para ele e falei: _Logo ali em cima, na rua tal… Era perto. Muito perto. E veio a frase que nunca esquecerei. __ Vai até lá, deixe a família e volte cá! Vou repetir… O agente me disse para deixar minha família em casa e voltar. Pasmei… Simples assim. Sem desconfiança.

Fui para casa, subi com a Mariana e os filhos… Voltei a pé, com meus documentos organizados numa pasta. Estrangeiro, recém-chegado, ainda sem o certificado de cidadão europeu, ou outro formal de residência, mas absolutamente regular.

Quando me aproximei novamente, o policial sorriu e disse: __Calma que o senhor não está no Brasil! Você já teve alguma recepção policial assim? Ele disse apenas que eu ficasse tranquilo. Que eu não estava no Brasil… o que fez refletir… A frase mais poderosa que ouvi de um policial não foi uma ordem. Foi um alívio.

Aquela frase não foi uma provocação. Foi uma constatação. Ele analisou os documentos rapidamente. Fechou a pasta. Devolveu. E, antes de encerrar, disse algo que só quem vive Portugal entende plenamente.

“Aperta o bacalhau.” Conhece esse termo? Eu nunca tinha ouvido falar… Sabe o significa? Um aperto de mão firme. Um gesto simples. Um símbolo poderoso. Ali não havia vencedor nem vencido. Havia dois cidadãos diante da lei — um a cumprir, outro a aplicá-la com humanidade.

“APERTA O BACALHAU”

Naquele momento, eu entendi algo essencial: segurança não nasce do medo. Nasce da confiança.

Portugal não é um Estado policialesco. Ele não precisa ser. A autoridade ali não se impõe pelo volume da voz, mas pela previsibilidade das regras. Pela educação. Pela ausência de arbitrariedade. É por isso que o país figura, ano após ano, entre os mais seguros do mundo. Hoje Portugal: o país é o 7º mais seguro do mundo a nível de segurança, segundo o Global Peace Index (GPI) de 2025.

E é por isso que tantos brasileiros, de norte a sul, respondem a mesma coisa quando perguntados por que escolheram Portugal. Não é por status. Não é por glamour. Não é por comparação vazia. É para viver.

Viver sem sobressalto. Criar filhos sem medo. Caminhar sem desconfiança. Existir sem ser atacado por ser inocente.

Não ser atacado por ser inocente

Renato Russo (Índios)

Se você viveu algo parecido — ou completamente diferente — sua história também importa.
Porque, no fundo, é dessas experiências silenciosas que se constrói o verdadeiro significado de segurança. Violência não é normalidade. É falha estrutural. Quando o Estado precisa se impor pela força, algo já deu errado.

Porque liberdade de verdade começa quando você não precisa ter medo de ser inocente. Não ser atacado por ser inocente deveria ser o mínimo. Para milhões de brasileiros, é um luxo.

O brasileiro não quer fugir. Quer sobreviver.

Homicídios: quando a comparação deixa de ser ideológica e vira existencial

Quando se fala em segurança, é comum ouvir que tudo depende da “percepção”. Os números, porém, desmontam essa narrativa. No Brasil, a taxa de homicídios gira em torno de 19 mortes para cada 100 mil habitantes. Em 2023, o país registrou 40.768 homicídios, um número que, sozinho, supera a população inteira de muitas cidades brasileiras.

Em Portugal, a realidade é outra. A taxa é de aproximadamente 0,7 homicídio por 100 mil habitantes, uma das mais baixas da Europa. Em 2024/2025, o país registrou cerca de 108 homicídios em todo o ano.

Não é uma diferença marginal. É uma diferença estrutural, civilizatória e prática.

O que esses números realmente significam? Que o brasileiro perdeu a sensibilidade para o absurdo.

Eles significam que, no Brasil, o homicídio é um fenômeno cotidiano, ainda que normalizado pelo noticiário e pela repetição.

Já em Portugal, o homicídio é um evento excepcional, tratado como ruptura grave da ordem social, não como estatística recorrente. Essa disparidade não se traduz apenas em dados, mas em comportamentos sociais:

  • No Brasil, as pessoas adaptam a vida ao risco
  • Em Portugal, o Estado e a sociedade organizam-se para evitar o risco.

No Brasil, sair de casa à noite exige estratégia. Em Portugal, sair de casa à noite é apenas sair de casa.

“O brasileiro não quer fugir. Quer sobreviver.”

Essa frase não é retórica. Ela nasce da matemática da violência. Ninguém abandona país, família, idioma e cultura por capricho. As pessoas se movem quando o direito mais básico, o de continuar vivo, deixa de ser garantido.

Quando a taxa de homicídios cai de 19 para 0,7 por 100 mil habitantes, não estamos falando de qualidade de vida abstrata. Estamos falando de probabilidade real de continuar existindo.

Segurança não é sensação. É estatística.

Portugal não é perfeito. Mas é previsível, estável e, sobretudo, não letal. O contraste entre Brasil e Portugal, no tema dos homicídios, ajuda a explicar por que tantos brasileiros escolhem atravessar o oceano:

  • não para buscar luxo,
  • não para ostentar Europa,
  • mas para diminuir drasticamente a chance de morrer em um assalto.

Latrocínio: quando o roubo vira sentença de morte. O latrocínio é um dos crimes mais reveladores sobre o grau de violência de um país. Juridicamente, ele é claro: roubo cometido com violência que resulta em morte. Socialmente, ele diz algo ainda mais grave: a vida perde valor no instante em que um bem é disputado.

E é justamente aqui que a comparação entre Brasil e Portugal se torna brutal.

Os números do latrocínio não deixam espaço para interpretação

No Brasil, o latrocínio não é um evento raro. O país registra, em média, entre 1.000 e 1.200 casos de latrocínio por ano, com uma taxa aproximada de 0,6 por 100 mil habitantes. Isso significa que, todos os anos, mais de mil pessoas são mortas não por conflito, não por vingança, não por guerra, mas por roubo.

Em Portugal, o cenário é diametralmente oposto. Os registros variam entre 0 e 3 casos por ano, com uma taxa próxima de 0,02 por 100 mil habitantes — estatisticamente próxima de zero. Não é uma diferença de grau. É uma diferença de natureza da violência.

O que o latrocínio revela sobre um país

O latrocínio é um crime que expõe o ponto máximo da degradação da segurança pública. Ele ocorre quando o assaltante já entra disposto a matar, ou quando o sistema é tão violento que a morte se torna um desfecho “normal” da ação.

No Brasil:

  • o roubo frequentemente vem acompanhado de arma de fogo
  • a reação da vítima pode ser interpretada como ameaça
  • a morte passa a fazer parte do risco “esperado” da abordagem

Em Portugal:

  • o roubo violento é muito menos frequente
  • o uso de arma letal é exceção
  • a probabilidade de um assalto terminar em morte é estatisticamente residual

Isso não significa ausência de crime. Significa ausência de letalidade estrutural.

Quando a violência deixa de ser exceção

Um país com mais de mil latrocínios por ano obriga seus cidadãos a viverem em estado de alerta permanente. Não se trata apenas de evitar ruas perigosas, mas de reduzir gestos básicos de confiança, como reagir, discutir ou simplesmente existir no lugar errado.

Já um país onde o latrocínio praticamente não ocorre cria outro pacto social: o de que a vida não é moeda de troca, mesmo no crime.

“O brasileiro não quer fugir. Quer sobreviver.” (parte II)

Se os homicídios mostram o nível geral de violência, o latrocínio mostra algo ainda mais íntimo: o risco cotidiano de morrer por ser inocente. Quando alguém compara Brasil e Portugal e decide mudar de país, essa decisão não nasce do medo abstrato.

Ela nasce da estatística concreta de que, em um lugar, um roubo pode terminar em morte, e no outro, isso simplesmente não faz parte da normalidade social.

Segurança se mede pelo que não acontece

Portugal não se define pelo número de crimes que ocorrem, mas pelos crimes que quase nunca acontecem.

O latrocínio é um deles. E é por isso que, quando se fala em imigração, a discussão não é ideológica, econômica ou cultural em primeiro plano. Ela é, antes de tudo, existencial.

Roubo à mão armada: quando a violência vira método de sobrevivência

O roubo à mão armada é diferente de outros crimes patrimoniais. Ele não é oportunismo. Ele é imposição pela força. É o momento em que alguém precisa ameaçar a vida de outra pessoa para existir economicamente. E, mais uma vez, a comparação entre Brasil e Portugal revela dois mundos distintos.

Os números do roubo violento

No Brasil, o roubo à mão armada é massivo e estrutural. São centenas de milhares de ocorrências por ano, concentradas principalmente em áreas urbanas, periferias e grandes centros.

O roubo:

  • envolve arma de fogo, faca ou objeto cortante
  • ocorre em transporte público, vias abertas, comércios e residências
  • cria uma cultura de medo permanente, não episódico

Em Portugal, o roubo com violência existe, mas em escala muito menor:

  • concentra-se em zonas urbanas específicas
  • raramente envolve arma de fogo
  • e, principalmente, raramente evolui para morte

A diferença central não está apenas na quantidade de roubos, mas na probabilidade de letalidade.

Quando a pobreza vira fábrica de violência

É impossível falar de roubo à mão armada no Brasil sem tocar no ponto mais sensível: a desigualdade extrema.

O Brasil convive com:

  • milhões de pessoas vivendo em favelas e periferias
  • baixo poder de compra
  • ausência crônica do Estado em educação, segurança e mobilidade social

Isso não explica moralmente o crime. Mas ajuda a entender sociologicamente como o país produziu gerações inteiras de jovens para quem o crime deixou de ser exceção e passou a ser alternativa. Não se trata de “coitadinhos”. Trata-se de um sistema que criou monstros e depois perdeu a capacidade de contê-los.

O colapso da contenção

O problema hoje não é apenas o número de roubos. É que o Estado brasileiro:

  • já não consegue prevenir
  • já não consegue dissuadir
  • e muitas vezes já não consegue punir

O resultado é um ciclo perverso:

  • mais violência → mais medo
  • mais medo → mais reação armada
  • mais reação → mais mortes

O roubo deixa de ser apenas crime patrimonial e passa a ser evento potencialmente fatal.

Dois Brasis dentro do mesmo país

No Brasil, a segurança virou um bem de consumo.

Quem tem dinheiro:

  • mora em condomínios fechados
  • anda de carro blindado
  • paga segurança privada
  • vive relativamente protegido

Quem não tem:

  • anda a pé
  • depende de transporte público
  • mora em áreas dominadas por facções
  • convive diariamente com criminosos armados

Não é uma escolha. É uma imposição territorial da violência.

Portugal: menos desigualdade, menos monstros

Portugal não é perfeito. Mas tem:

  • menos pobreza extrema
  • menos favelização
  • mais presença básica do Estado
  • e menos incentivo estrutural ao crime violento

O resultado é simples: o roubo raramente exige matar para funcionar.

O brasileiro não quer fugir. Quer sobreviver.

Se homicídios mostram o grau geral de violência, se o latrocínio mostra o ponto máximo da barbárie, o roubo à mão armada revela o cotidiano da insegurança.

O brasileiro não quer sair do país por luxo. Ele quer viver onde não precisa entregar o celular com medo de morrer, onde não precisa explicar aos filhos por que não podem andar na rua, onde a vida vale mais do que o objeto roubado.

Isso não é covardia. É instinto de preservação.

Se existe uma coisa que me intriga é isso! Desaparecidos! As pessoas simplesmente somem, desaparecem, evaporam, nunca mais são vistas, como duas que vem à cabeça, a  Madeleine McCann, desaparecida em 3 de maio de 2007, aos três anos, na Praia da Luz, Algarve, e a Priscila Belfort, irmã de Vitor Belfort, que simplesmente desapareceu em 9 de janeiro de 2004, no Rio de Janeiro, após sair para almoçar do trabalho, nunca mais foi vista. Pense! no Brasil isso acontece 80 mil vezes por ano!!! Pasme!

Veja os dados na imagem a seguir…

Desaparecidos: Brasil x Portugal — o que os números realmente mostram

O tema dos desaparecidos é um dos mais silenciosos e, ao mesmo tempo, mais angustiantes da segurança pública. Pouca gente conhece os números reais — e menos ainda entende o que eles significam na prática.

🇧🇷 Brasil

  • Total de desaparecidos por ano: cerca de 80 mil pessoas
  • Pessoas localizadas: aproximadamente 65% a 70%
  • Não localizadas: entre 30% e 35%

Crianças e adolescentes

  • Casos anuais: entre 40 mil e 50 mil
  • Localizados: cerca de 70% a 75%
  • Não localizados: entre 25% e 30%

Ou seja: dezenas de milhares de pessoas simplesmente somem todos os anos no Brasil, e uma parcela relevante nunca é encontrada.

Portugal

  • Total de desaparecidos por ano: cerca de 300 a 400 pessoas
  • Pessoas localizadas: entre 95% e 99%
  • Não localizadas: apenas 1% a 5%

📍 Crianças

  • A taxa de resolução é ainda maior, frequentemente acima de 98%.

Na maioria dos casos, as pessoas são encontradas nas primeiras 24 a 72 horas.

O que explica essa diferença

Essa discrepância não é fruto de acaso. Ela envolve fatores estruturais:

  • Sistemas de registro e resposta rápida
  • Integração entre polícia, serviços sociais e famílias
  • Bancos de dados funcionais e atualizados
  • Capacidade real de investigação
  • Confiança da população nas instituições
  • Território menor e maior controle estatal

Portugal atua com urgência, o Brasil atua muitas vezes com burocracia e atraso — e tempo é o fator mais decisivo quando alguém desaparece.

Mas há algo que precisa ser dito com clareza

Mesmo com percentuais muito diferentes, uma única pessoa desaparecida já é um absurdo.

Não importa se é 1%, 5% ou 30%.
Cada número representa:

  • Uma família em suspensão
  • Uma dor sem fechamento
  • Uma vida fora do radar do Estado

Comparar Brasil e Portugal não é para relativizar o problema, mas para mostrar que é possível fazer melhor.

Desaparecer não pode ser tratado como algo “normal”, aceitável ou estatístico. É uma falha grave de proteção social e de segurança pública.

MORTES NO TRÂNSITO – BRASIL VS PORTUGAL

Quando se fala em violência, quase ninguém pensa no trânsito. Mas, em números absolutos, o asfalto mata tanto quanto o crime organizado. A diferença é que, no trânsito, a morte costuma ser tratada como “acidente”. E quando algo é chamado de acidente, a sociedade para de cobrar responsáveis.

Brasil: o trânsito como território sem lei

O Brasil registra mais de 30 mil mortes no trânsito por ano — números que variam entre 30 mil e 35 mil, dependendo da fonte e do ano analisado. Isso significa, na prática:

  • Cerca de 80 a 90 mortes por dia
  • Uma taxa aproximada de 15 a 19 mortes por 100 mil habitantes
  • Números comparáveis a países em guerra civil

As causas são conhecidas:

  • Excesso de velocidade
  • Álcool ao volante
  • Fiscalização irregular
  • Estradas mal conservadas
  • Cultura de impunidade

Mas o problema é mais profundo. No Brasil, o trânsito reflete a mesma lógica da violência urbana:

Cada um por si.
A lei é relativa.
A vida do outro vale pouco.

Dirigir bêbado, correr em via urbana ou ultrapassar de forma suicida não gera reprovação social suficiente.
Gera, muitas vezes, aplauso ou piada.

Portugal: rigor, prevenção e consequência

Portugal também tem acidentes. Mas os números contam outra história. O país registra cerca de 500 a 600 mortes no trânsito por ano, com uma taxa aproximada de 5 a 6 mortes por 100 mil habitantes, uma das mais baixas da Europa. O motivo não é sorte.

É política pública:

  • Educação viária desde cedo
  • Fiscalização constante
  • Multas altas e inevitáveis
  • Perda real de pontos na carta
  • Estradas planejadas para reduzir erro humano

Em Portugal, o motorista sabe que será punido. E, mais importante: sabe que não será perdoado socialmente se agir com irresponsabilidade.

A diferença não está no carro. Está na cultura do limite.

O brasileiro médio não dirige pior porque é incapaz. Dirige pior porque foi acostumado à ausência de consequência. Assim como na violência urbana, o problema do trânsito no Brasil não é apenas técnico — é civilizacional. Quando o Estado falha em impor regras mínimas:

  • O mais forte impõe
  • O imprudente domina
  • O inocente paga

E paga com a vida. Morrer no trânsito não é destino. É falha coletiva. Quando um país normaliza 30 mil mortes por ano como “fatalidade”, ele revela algo profundo: A vida perdeu prioridade.

Portugal não é perfeito. Está longe disso. Mas ali, morrer no trânsito ainda é tratado como tragédia, não como estatística rotineira. E, mais uma vez, o brasileiro não quer fugir. Quer viver. Quer atravessar a rua. Quer voltar do trabalho. Quer chegar em casa inteiro.

Quando até o trânsito vira ameaça constante, a decisão de sair deixa de ser econômica, política ou ideológica. Ela se torna simplesmente humana. Mas, em números absolutos, o asfalto mata tanto quanto o crime organizado.

A diferença é que, no trânsito, a morte costuma ser tratada como “acidente”. E quando algo é chamado de acidente, a sociedade para de cobrar responsáveis.

A diferença não está no carro. Está na cultura do limite.

O brasileiro médio não dirige pior porque é incapaz. Dirige pior porque foi acostumado à ausência de consequência. Assim como na violência urbana, o problema do trânsito no Brasil não é apenas técnico, é civilizacional. Quando o Estado falha em impor regras mínimas:

  • O mais forte impõe
  • O imprudente domina
  • O inocente paga

E paga com a vida. Morrer no trânsito não é destino. É falha coletiva. Quando um país normaliza 30 mil mortes por ano como “fatalidade”, ele revela algo profundo: A vida perdeu prioridade.

Portugal não é perfeito. Está longe disso. Mas ali, morrer no trânsito ainda é tratado como tragédia, não como estatística rotineira. E, mais uma vez, o brasileiro não quer fugir. Quer viver. Quer atravessar a rua. Quer voltar do trabalho. Quer chegar em casa inteiro. Quando até o trânsito vira ameaça constante, a decisão de sair deixa de ser econômica, política ou ideológica. Ela se torna simplesmente humana.

Considerações finais

Este não é um texto contra o Brasil. É um relato de quem viveu as duas realidades. E quando você descobre que existe um lugar onde a vida pode ser mais leve, mais previsível e mais humana, é impossível não comparar.

Portugal me ensinou isso. E ensinou à minha família também. E talvez seja por isso que tantos brasileiros, mesmo sem se conhecerem, respondem a mesma coisa. Essa é a segurança que não se anuncia. Mas que se sente todos os dias.

E você? Já viveu algo assim fora do Brasil? Conta pra mim.

CONCLUSÃO

“Não ser atacado por ser inocente” não é apenas sobre crime violento. É sobre não desaparecer no silêncio, não virar estatística, não ser esquecido pelo Estado.

Fontes

  • Brasil: dados oficiais de homicídios – 2023 (Ministério da Justiça / Fórum Brasileiro de Segurança Pública)
  • Portugal: Relatório Anual de Segurança Interna (RASI – 2024/2025)

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