
"Caríssimo Dr. Rodrigo Lopes. Talvez o que o senhor saiba é que eu seja um neto de avós portugueses (dois, segundo as provas que apresentei) reivindicando a cidadania e a nacionalidade portuguesa. Não sou neto de dois, mas dos quatro avós portugueses, o que sempre muito me orgulhou.
Sou professor universitário (Titular, ex-chefe do Departamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto), agora aposentado, e toda a minha carreira foi realizada em dedicação exclusiva, na Universidade de São Paulo. Minhas atividades acadêmicas permitiram que eu alcançasse relevâncias de reconhecimento entre meus colegas, o que muito, também, me orgulhou. Fui Presidente de Associações Internacionais (Pan American Society for Research in Ophthalmology, Conselho Latino-Americano de Estrabismo) e, entre as várias nacionais, a maior (Conselho Brasileiro de Oftalmologia).
Fui Editor-Chefe (1999-2009) dos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, nossa maior revista da especialidade e hoje reconhecida, internacionalmente, como uma das mais importantes. Recebi várias honrarias, homenagens, diplomas e medalhas internacionais e nacionais.
Talvez, entretanto, em nenhuma dessas várias circunstâncias e algumas culminâncias com que um ser humano possa se sentir distinguido e realizado, a alegria que senti pareceu se comparar a de receber essa comunicação de agora. Dê-me, pois, licença de, contente e feliz, parafrasear e copiar Camões, para dizer que 'Cessem desse que dizem ser um sábio brasileiro (mas nem tanto quanto o grego e o troiano) as navegações grandes que fez. Cale-se dele a fama de suas vitórias (embora nem tanto quanto as de Alexandre e de Trajano).
Que ele, agora, canta o peito ilustre lusitano, a quem Netuno e Marte obedeceram. Cessem dele tudo o que sua antiga Musa cantava que, agora, outro valor mais alto se lhe alevanta.' Obrigado, meu caro Doutor Rodrigo Lopes. Sinto-me orgulhoso por alcançar essa nacionalidade que foi a de meus quatro avós.
Cujas circunstâncias fizeram com que deixassem suas queridas terrinhas, onde também nasceram seus avós e os avós de seus avós, para virem à terra que seus ancestrais conquistaram e se irmanou à deles.
O neto, agora, sente que suas raízes, temporariamente em outras terras, possam ser, com orgulho e honra, também as de seus descendentes. Fico-lhe agradecidíssimo. E mãos à obra que, sem tardanças, também, filhos (tenho-os três e duas) desejam receber esse galardão."






















