Receber uma exigência do IRN ou da Conservatória causa um misto de ansiedade e confusão. A primeira reação costuma ser “deu errado” — mas não é isso. Uma exigência significa que o processo foi analisado, que o analista identificou algo ausente ou inconsistente, e que está dando uma oportunidade de complementar a documentação.
O problema é que muita gente não entende o que foi pedido, responde com o documento errado, ou perde o prazo. E aí sim o processo vai por água abaixo.
Fale com a DNA antes de tomar qualquer decisão.
O que é uma exigência da Conservatória
A exigência (também chamada de notificação de diligência) é uma comunicação formal do IRN pedindo um documento adicional, uma correção ou um esclarecimento que está faltando no processo. Ela é enviada por carta registrada para o endereço informado no pedido.
Prazo para responder
O prazo típico é de 30 a 90 dias contados da data de notificação. O prazo exato está indicado na própria carta de exigência — leia com atenção esse campo. Não respeitar o prazo pode resultar no arquivamento do processo por inércia do requerente.
As exigências mais comuns
- Certidão de nascimento brasileira no formato simplificado em vez do inteiro teor
- Certidão sem Apostila de Haia
- Certidão de casamento do ascendente não apresentada
- Casamento não transcrito em Portugal
- Divergência de nomes entre documentos sem esclarecimento
- Declaração de ligação efetiva com Portugal considerada insuficiente (para netos)
- Certidão portuguesa em formato de extrato em vez de assento completo
- Tradução não reconhecida ou documento em idioma não identificado
Como ler a exigência corretamente
A carta de exigência normalmente especifica: (1) o que está faltando ou incorreto; (2) qual documento ou informação deve ser entregue; (3) o prazo; (4) onde e como apresentar a resposta. Leia o texto completo — não apenas o campo “exigência”. Às vezes há mais de um ponto sendo pedido.
Não responda antes de entender exatamente o que foi pedido.
Quero que a DNA leia minha exigência e me orienteNão responda antes de entender exatamente o que foi pedido.
Como responder uma exigência
- Identifique com precisão o que foi pedido — não presuma
- Reúna o documento ou informação solicitada — no formato correto
- Envie via o canal indicado na carta (portal ePortugal, correio registrado ou presencialmente)
- Guarde comprovante de entrega com data
- Monitore o processo após a resposta — a análise deve retomar
O que fazer se a exigência parecer injusta ou errada
Há situações em que a exigência está fundamentada em erro do IRN — pedindo algo que já foi entregue, ou exigindo documento que não é obrigatório por lei. Nesse caso, a resposta correta não é simplesmente cumprir a exigência — é apresentar uma reclamação hierárquica devidamente fundamentada.
Perguntas frequentes
Não recebi a carta de exigência mas meu processo está parado. Como saber se há uma exigência?
É possível verificar o status do processo no portal ePortugal (com NIF português) ou através de consulta formal à conservatória. Se o endereço informado no pedido estava incorreto, a carta pode ter retornado. A DNA verifica isso por você.
A exigência pede um documento que não existe mais. O que fazer?
Documentos que não existem mais (certidões destruídas, registros perdidos) têm caminhos alternativos — declarações juramentadas, pesquisa em arquivos históricos, registros paroquiais. Cada situação tem uma solução específica.
Respondi a exigência mas não tive retorno. O processo voltou a parar?
Após responder a exigência, o processo retorna à fila de análise — que pode ter novo prazo de espera. Se passaram mais de 6 meses sem resposta após a entrega, vale fazer uma consulta formal de andamento.
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Antes de tomar qualquer decisão, organize os fatos.
Cada caso de cidadania portuguesa depende de documentos, datas, vínculos familiares, estado civil, certidões, eventuais divergências e fase atual do processo. Um detalhe pequeno pode mudar completamente o caminho. Por isso, antes de responder uma exigência, refazer documentos ou ingressar com uma medida contra o IRN, é recomendável analisar o caso com método.

Advogado e fundador da DNA Cidadania, com atuação especializada em cidadania portuguesa e italiana.
Dedica-se ao estudo e à prática do direito da nacionalidade, com foco no dever de decisão do Estado, na crítica ao excesso de formalismo administrativo e na proteção jurídica das famílias diante da demora injustificada dos processos. Escreve artigos jurídicos e institucionais que unem direito, história e realidade prática, traduzindo o funcionamento do sistema para quem precisa decidir com consciência e segurança.