Por Dr. Rodrigo Maricato Lopes, advogado inscrito no Brasil (OAB/SP 240.416) e em Portugal (OA 54.282L). Atualizado em julho de 2026.
Você protocolou o pedido de nacionalidade portuguesa e agora vive a pior parte do processo: a espera sem informação. Todo dia alguém da família pergunta “e aí, saiu?” e você não tem resposta. Este guia mostra exatamente como consultar o estado do seu processo de nacionalidade, o que cada fase significa e, principalmente, o que fazer quando a consulta mostra que nada anda.
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Onde consultar o processo de nacionalidade portuguesa
A consulta oficial é feita online, de graça, no site do Ministério da Justiça de Portugal: nacionalidade.justica.gov.pt. Não precisa ir a Portugal nem contratar ninguém só para isso.
Para consultar, você precisa do código de consulta: uma senha de 12 dígitos no formato xxxx-yyyy-zzzz, entregue quando o pedido é registado. Com ela, o site mostra em que fase o seu pedido está e se alguma notificação foi enviada pelo correio.
Não tenho o código de consulta. Como conseguir?
Acontece com muita gente: o pedido foi protocolado por um procurador, por um familiar ou há tanto tempo que a senha se perdeu. Você pode pedir o código:
- na Conservatória dos Registos Centrais, em Lisboa;
- em qualquer conservatória com Balcão da Nacionalidade;
- pela Linha Registos: (+351) 211 950 500, tendo em mãos o número do processo e os seus dados de identificação.
Importante: sem o número do processo fica bem mais difícil. Guarde todos os comprovantes de protocolo, eles são a sua prova de que o processo existe e de quando começou a correr o prazo.
As 8 fases do processo de nacionalidade
O pedido de nacionalidade portuguesa passa por oito fases dentro do IRN (Instituto dos Registos e do Notariado):
- a conservatória recebe o pedido;
- o pedido é registado no sistema do IRN;
- verifica-se se todos os documentos necessários foram entregues;
- verifica-se se os documentos entregues cumprem os requisitos legais;
- em alguns tipos de pedido, outras entidades são consultadas (antecedentes criminais, por exemplo);
- verifica-se se estão reunidas todas as condições para conceder a nacionalidade;
- decide-se se a pessoa tem direito à nacionalidade portuguesa;
- o novo cidadão português é registado no Registo Civil de Portugal.
Na prática, a maioria dos processos passa meses (ou anos) entre as fases 3 e 6. É ali que aparecem as exigências de documentos e é ali que muitos processos simplesmente param.
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Quanto tempo é normal esperar?
Aqui vai a resposta honesta que quase ninguém dá: o procedimento administrativo tem prazo legal para ser decidido, mas a fila real do IRN cresceu tanto nos últimos anos que a espera de muitas famílias passou de qualquer prazo razoável. Espera longa virou comum. Só que comum não é a mesma coisa que legal.
O ponto que você precisa guardar: quando a administração ultrapassa o prazo legal e se cala, esse silêncio tem nome jurídico: omissão. E a omissão abre portas que a espera passiva não abre, como a reclamação formal e, na sequência, a via judicial.

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Se a consulta mostra a mesma fase há muitos meses, você tem três caminhos, do mais brando ao mais forte:
- Organizar as provas. Protocolo, comprovantes de envio, e-mails, AR dos correios. A prova é o que transforma a sua espera em argumento jurídico.
- Reclamação formal por omissão. Uma peça dirigida ao IRN exigindo decisão no prazo legal. É a pressão certa, no canal certo.
- Via judicial. Quando o IRN se mantém em silêncio ou indefere, a ação judicial obriga uma resposta. Pode ser conduzida sem você sair do Brasil. Explico o caminho completo na página da fase judicial da cidadania.
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Perguntas frequentes
Dá para consultar o processo só pelo nome ou CPF?
Não. A consulta online exige o código de 12 dígitos. Sem ele, o caminho é recuperar o código pelos canais oficiais listados acima.
Protocolei pelo consulado. Consulto no mesmo lugar?
Sim, a consulta é a mesma: quem decide a nacionalidade é o IRN em Portugal, não o consulado. O consulado é só a porta de entrada de alguns pedidos.
O site diz “aguarda análise” há mais de um ano. É normal?
É frequente, mas não é o que a lei promete. Se a sua espera já passou do razoável, vale a pena entender se o seu caso já configura omissão. O Raio-X gratuito te dá essa leitura em minutos.
Recebi uma exigência de documentos. Isso é ruim?
Não necessariamente: exigência significa que alguém olhou o seu processo. O que decide o jogo é responder certo, completo e dentro do prazo. Resposta errada devolve o processo pro fundo da fila.
Ainda não protocolei. Este guia serve pra mim?
Serve o começo dele: antes de protocolar, confirme se você tem o direito e quais documentos precisa. Comece por quem tem direito à cidadania portuguesa e pela página completa de cidadania portuguesa.
O seu processo tem duas vidas: a administrativa e a judicial.
Se a consulta mostrou silêncio, a lei está do seu lado. Fale com quem cuida das duas vidas do processo.
Conteúdo revisado por Dr. Rodrigo Maricato Lopes, advogado inscrito na Ordem dos Advogados de Portugal (OA 54.282L) e na OAB/SP (240.416), fundador da DNA Cidadania. Este guia é informativo e não substitui a análise individual do seu caso.
A DNA Cidadania é um escritório privado de advocacia (Dr. Rodrigo Maricato Lopes, OAB/SP 240.416, Ordem dos Advogados de Portugal OA 54.282L). Não somos o IRN nem qualquer órgão de governo e não emitimos documentos oficiais. A consulta do processo é gratuita no canal oficial nacionalidade.justica.gov.pt. Prestamos serviços jurídicos privados, com honorários próprios.
Advogado ítalo-luso-brasileiro, com tripla nacionalidade, atuação há mais de duas décadas na advocacia, sendo mais de 10 anos dedicados a processos de nacionalidade portuguesa e italiana, com prática em Direito Registral Público Internacional, com foco no registo civil português e atuação perante conservatórias e Tribunais Administrativos em Portugal. DNA Cidadania.